Por que o pão francês tem esse nome se ele não é da França?

Anos atrás, cozinheiros de famílias de elite e padarias de São Paulo foram pressionados a reproduzir os famosos (e deliciosos) pães da França

Da redação, com Minha Receita 21/05/2021 • 12:57 - Atualizado em 27/05/2021 • 10:48
A origem do pão francês
A origem do pão francês
Pixabay

No último episódio do Minha Receita, que foi ao ar na terça-feira, dia 18, o chef Jacquin se perguntou: por que o pão francês tem esse nome no Brasil se a origem dele não é na França? A receita do pãozinho mais popular do País foi criada por aqui mesmo, entre o fim do século 19 e começo do 20, a pedido de brasileiros que voltavam da França apaixonados pela confeitaria e panificação do país.

Foi assim: na época, muitos brasileiros iam estudar na Europa e voltavam inspirados com vida e cultura francesa. Esses viajantes da elite descreviam um pão que costumavam comer por lá, de casca crocante e dourada, miolo branco, cilíndrico, provavelmente um antecessor da baguete francesa.

Até então, as padarias tinham pães portugueses e italianos, e o pão mais comum era um de miolo e casca escuras. Cozinheiros de famílias de elite e padarias de São Paulo foram pressionados a reproduzir esse pão descrito. A massa criada não era idêntica à consumida na França, mas ganhou esse nome no Brasil: o pão francês. 

O pão desenvolvido no começo do século passado ainda não era idêntico ao pãozinho que comemos hoje, sendo um pouco maior. Ao longo do século 20, a receita foi se adaptando, inclusive mudando de tamanho e de consistência. 

Hoje, o pão francês já faz parte da família brasileira, ganhando diferentes nomes em cada parte do País. No Rio Grande do Sul é conhecido como “cacetinho”, enquanto no Ceará é chamado de “carioquinha”. No Rio Grande do Norte é também “pão d'água" e na Bahia, “pão de sal”. Já se você for ao litoral paulista, por lá é intitulado “média”. Para não ter erro, todo brasileiro conhece pelo nome “pão francês”.